Comecei a ler o texto pela manhã.
Bobagem. Mais uma notícia ilegítima propagada por aí. Perda de tempo. Jornal do
almoço. A carta é manchete. Fala sério! Ele realmente escreveu isso? Tudo bem.
Talvez a redação simples tenha frustrado minhas expectativas e me confundiu. A
matéria segue com Temer questionando quem poderia ter cometido tamanha
indiscrição a ponto de divulgar uma carta particular. Poxa. Que chato, não? Ainda
bem que a carta só fala bem dele. Exalta suas habilidades políticas. Assinala
sua insatisfação com a gestão atual. E tudo em um texto super sintético. Ideal
para uma nação que não tem o hábito de ler. No meio da tarde voltei a ler a
carta, por desencargo de consciência. Teorias da conspiração à mil. Mais uma
vez, preciso dizer. Que sorte a nossa um resumão deste vir à público. Se não, como
conheceríamos as façanhas deste personagem temível? Poupa tempo, mas não supera
os hilários memes sobre o assunto. Ao final da carta, a primeira impressão se
confirma. Quanta bobagem. Quer dizer... Ainda que confirmada a autoria. Muito
oportuno não concordar o governo aí instaurado, mas ao mesmo tempo não dizer
nada que tenha repercussão jurídica, como teria uma renúncia, por exemplo. Muito
conveniente que tenha sido levada à público. No atual contexto político, que
inclui um pedido de impeachment da Chefe de Estado, penso que há grandes
chances de conquistar a simpatia do Brasil. Carente que o país está de um herói
nacional, talvez Temer emplaque. Joaquim Barbosa? Sérgio Moro? Japonês da Lava
Jato? Temer, ou não Temer? Eis a questão.