segunda-feira, 10 de abril de 2017

IDEIAS AO LÉU (L.E.P.00059.18092007.09052016)

O gelo cobre cada poro da pele.
É tudo escuro ao redor.
Tudo gira
e estou parada.
Acolhida pelo vento
e por três momentos.
Só.
O sol insiste
e quer queimar,
mas a vida.
Ora tortura, ora reta,
é rotura, não meta,
alvo, razão, motivo, emoção.
Sinônimo inciso,
conciso com o não.
O ouro não é azul, amor.
O couro congelou.
A pele queimada,
não é do que foi,
nada.
Tênis e meias
são cobertores de veias
que percorrem a alma antiga,
cansada da fadiga
e o cano alto,
a tiara,
o lenço,
um acessório siderúrgico
surgiu no campo de futebol
estancou a voz
que saia daquela porta
e a esquina adormeceu.
Quem ouvirá a cerca tremer?
Trens apitam quando chegam,
ou quando vão?
Eles não sabem do pato feio
que nasce no campo
e participa do exôdo rural.
Eles não entendem de inflação.
O trem é destro e ruivo,
com listras grisalhas.
Ele não paga aluguel.
Os agentes econômicos
não têm cheque rosa,
nem roseiras, margaridas, ou macieiras.
Não tem estruturas e gôndolas,
e crianças de beiço lambuzado
com a manga rosa.
Ele quer crescer.
Não sabe o que é o Paraná,
não fala o que é TV.