segunda-feira, 4 de julho de 2016

ARCO-IRÍS (L.E.P.00019.09102008.29032016)

A conchífera usurpou
de Plínio o amarelo,
por motivos hoje escarnecidos
debochados tão ridos
antes imortais.
O branco é tudo,
é manchado de tons,
de matizes e sete sons.
Branco é tão dó quanto ré,
é sol, é fá.
Lá, si, mi.
A alvura resguarda, sob sete chaves, 
escalas e semitons.
Semínimas, acordes e claves.
O arco-íris é cândido, meu bem.
Eu quero gama que em mim seja alfa,
que não se apague jamais.
Mas se é corpo luminoso,
corpo é.
Poderia ocupar o mesmo espaço?
Ninguém se importa.
Afinal, 
é brancura a predileção da luz!
Jaz esse cortiço,
confuso e agregado, 
esse raio orquestrado,
essa partitura rebuscada,
de notas, e tons, e semitons, e todos matizes mais...
Ah! Essa nossa sinfonia abusada!
É maestro o mestre que rege,
não usa parênteses ou colchetes.
Esse arco-íris é puro cones e bastonetes.
Para os olhos, a grandeza habita a promiscuidade das cores.