domingo, 15 de outubro de 2017

NOITES AUGUSTAS (L.E.P.00021.09102008.29032016)

Como cartas marcadas,
como castas separadas,
inerte vi o sabor dos sons ásperos que exalava.

Incontáveis gerências,
regências enfáticas,
alternativas, hipotéticas
silógicas austríacas.

Quantos contos capazes de ficar ali se foram.
Quantos deixaram de descansar de seus vôos mórbidos,
estarrecedores.

Em mente cada vez mais febril,
o cachorro louco anuncia flores e odores,
profetiza carmesim,
licores sem fim.

Anis, violetas, azuis e vermelho,
e verde, amarelo e alaranjado.
Despede o céu embotado,
com seu casaco pesado.

Cachorro louco hiberna? Não sei.
Augustas noites de verão
esboçadas preguiçosamente,
são perfeitas também.

Fazem o sangue circular lentamente,
inércia latente
em seu diapasão.